terça-feira, 19 de agosto de 2008

Only and lonely.

That's it, always like that.
It comes for you to learn how to stand on your own feet, oh, yes.

[+] Destiny's Child - Emotion

domingo, 17 de agosto de 2008

Velha anedota.

Tertuliano, frívolo e peralta,
Que foi um paspalhão desde fedelho,
Tipo incapaz de ouvir um bom conselho,
Tipo que, morto, não faria falta;

Lá um dia deixou de andar à malta,
E, indo à casa do pai, honrado velho,
A sós na sala, diante de um espelho,
À própria imagem disse em voz bem alta:

- Tertuliano, és um rapaz formoso!
És simpático, és rico, és talentoso!
Que mais no mundo se te faz preciso? -

Penetrando na sala, o pai sisudo,
Que por trás da cortina ouvira tudo,
Severamente respondeu: - Juízo. -


Artur Azevedo

Esse "mantra", poesia, me faz falta e eu finjo que me esqueço.
A sorte é que ele sempre aparece e me lembra o quanto é bom.

[+] Van Halen - Why can't this be love.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

I'm sorry.

Nunca imaginou que o fim pudesse vir daquela maneira.
Foi repentina a decisão, foi impactante o resultado. Julgou-se livre, não percebeu o quanto precisava daquilo que o mantinha vivo. Não foi de tudo atento ao seu amor, foi sim atento a si mesmo... Hoje sente de volta tudo o que temia. "Já que a vida quis assim", segue sofrendo como um mau poeta, sabendo que não existe sem a outra metade, sabendo que jamais recuperará o que já teve...
Afastou-se para proteger-se e percebeu que, sim, acabou.
Acabou como um mito, mas deixou aquela marca profunda, aquele sinal de amor verdadeiro, e hoje pensa assim: "nada nesse mundo levará você de mim".

[+] Tom Jobim e Vinicius de Moraes - Eu não existo sem você.

domingo, 3 de agosto de 2008

Novamente, dos encaixes.

Revolveu a tubulação em busca daquilo que tinha perdido, felizmente, encontrou. As três peças estavam ali, intactas por fora, mais maleáveis por dentro. O mais surpreendente foi descobrir o novo cenário que mostravam, tudo era novo, mais vívido, mais feliz.
A liberdade os mantinha unidos, mantinha também a adesão de novas peças, formando uma imagem cada vez mais plena daquilo que almejavam.
Alegres, rirão e chorarão muitas vezes. A eternidade está próxima e o antigo amor recente é real.

[+] Sublime - Santeria
[+] Minnie Ripperton - Loving you

[Rê, Bru, Fê, nosso].

terça-feira, 22 de julho de 2008

O monstro morreu.

Mais de dois anos se passaram e o gigante paulistano que me devorava a cada instante se foi. A magia do metrô, a poluição gostosinha, a brisa fria e forjada da paulista, o carão típico das pessoas na rua, a alegria de acordar mais um dia e saber que faço parte da maior centro do país; tudo isso acabou, tudo se tornou normal, deixou de ter aquele prazer mesquinho que achava que a cor da cidade de alguma forma se alterava comigo.
O fato? Me tornei mais um: frio, louco, apressado, solitário, previsível, medroso, [insira o resto da lista aqui].
É verdade também que cresci, a brejeirice diminuiu, a frivolidade também, a maturidade cresceu e a alegria, de vez em quando, volta esparsa... e quando volta, traz a certeza: esse é meu lugar, feliz ou não, por aqui vou ficar.

[Comecei a escrever esse post há mais de uma ano, deu vontade de terminar].

[+] Caetano Veloso - Sampa

Quote.

"Nas derradeiras mensagens subliminares do adeus, vamos construindo uma trilha de migalhas, para quem sabe um dia refazer caminhos que a gente não gostaria de esquecer.

Mas a vida urge e tudo tem que caminhar. Sentado num aeroporto qualquer, você se dá conta que o triste do faz-de-conta é saber que não é a trilha que muda, mas sim você".
http//:www.maninthebox.blogger.com.br

Resume.
E explica.
Ainda que não conforte.

[+] Nando Reis - Os cegos do castelo

terça-feira, 24 de junho de 2008

11 steps to make a hell of a night.

1. Dress to feel confident;
2. Arrive late;
3. Smile;
4. Pretend you remember people;
5. Drink a lot of champagne;
6. Meet some people just like you;
7. Let people flirt with you;
8. Laugh about it;
9. Talk to people you love (and you haven't seen for a while);
10. Drive without a license to leave your friend's drunk friend at home;
11. Get a cab, go home, tell the story, take a shower and go to bed.

[+] Madonna - American pie

sábado, 21 de junho de 2008

Do lar alheio.

Jogavam incompreensivelmente aquele emaranhado de cartas que parecia significar nada. Algo mais estava envolvido naquele ocaso, a falta relações aparentes pouco a pouco se revelava falsa e demonstrava ser algo mais profundo. Conhecendo as pessoas que ali estavam, parecia enganar-se com a possibilidade de que algo seria de fato frutífero em tudo aquilo, entretanto, sentia-se em casa. Havia muito que não conseguia circundar-se de um ambiente familiar, ainda que tão alternativo quanto aquele e percebia que precisava disso, o aconchego e carinho maternais lhe faziam tanta falta quanto o que mais almejava naquele momento: que um dia conseguisse ser tão feliz com seus próprios correlatos.
O desequilíbrio o fazia querer mais e mais aquele abraço apertado e distante, sabia agora que podia dá-lo, enfim havia se infiltrado em camadas mais interiores daquele ser que tanto apreciava e que parecia precisar de tanto cuidado. Logo foi agradecendo-lhe, pela oportunidade de convívio que toda a situação havia proporcionado, o fato é que queria agradecer por mais, desejava dizer o quanto aquilo era importante e que se sentia feliz por haver partilhado seus momentos de intimidade tão únicos.
Agora podia entender as duas faces da moeda, na verdade, de duas moedas: a sua e a de outrem; quatro faces então. Seriam iguais? Diria que não, porém muito parecidas sob o espectro do mundo obscuro dos sentimentos verdadeiros.

[+] Don Patridge - Breakfast on Pluto
[+] The Cranberries - Ode to my family

[Bru, nosso].

terça-feira, 17 de junho de 2008

Dos encaixes.

Tinha a sensação de que as três peças nunca seriam compatíveis, ainda que seus encaixes fossem perfeitos e que a imagem que formavam fosse assustadoramente real.
Assim começou a desmembrá-las, de uma forma ou de outra, antecipando aquilo que tomava como inevitável, forçando-se a aceitar a imutabilidade de algumas situações. Por orgulho, nunca disse a ninguém, mas amava com sinceridade as três partes juntas, gostava do fato de que as falhas e saliências pudessem completar-se tornando forte um conjunto que tinha sido frágil.
Sentia agora que a fragilidade voltara rápido demais, ainda que tomasse como certeza que o mundo um dia a traria. Lembrou como tudo tinha começado com vinho e lágrimas derramados, via o fim com vodca e gargalhadas soltas.
Assim, disse adeus ao quebra-cabeça, derramou o derradeiro líquido sobre aquilo que restava, riu e desejou que os terços seguissem felizes ralo abaixo.
Ouviu um riso distante,um eco da tubulação, que logo se converteu em pranto.

[+] Rachel Yamagata - I wish you love

[Rê, Bru; nosso].

domingo, 20 de janeiro de 2008

Road trip.

Ia, ao volante, em direção ao pôr-do-sol com seu objeto de afeto ao lado. Gesticulava ao som de The Cure enquanto tentava não se perder no caminho para aquele que havia escolhido como seu destino passageiro; sim, porque destino se escolhe e se faz seguro pela ilusão da certeza. Gostava da sensação da luz que o aquecia e o cegava parcialmente, de estar solto no trajeto eleito, de ter a base sólida do antigo amor recente e de ser feliz naquelas horas tão passageiras. Avistou a entrada, volteou-se à direita e retornou à aspereza daquele asfalto que se encontrava abaixo de seus pés e havia estado tão distante a minúsculos instantes atrás.

[+] Chico Buarque - João e maria

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Ócio.

A carne atiça o instinto voraz de quem está à mercê da mão por muito tempo. O toque gélido da lâmina atormenta a mesma mão que seduziu com o mesmo toque a mesma carne que um dia esteve a sua mercê. A mesmice do toque um dia entediou a carne, que deixou de preferir a mão e se entregou à lâmina. A mesma lâmina fere a mão, a carne, o toque. O toque ferido torna a mão suja e delibera que a dor é melhor que o afeto. O afeto, por sua vez, com seu orgulho ferido, decide pôr um fim à palhaçada das loucuras reverberantes correspondentes a você, que mais nada tem a fazer.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Perspectiva maternal.

O ventre doía-lhe. Não podia compreender como aquelas palavras desferidas por alguém que tanto amava podiam causar-lhe tamanho dano. Seria a dor do parto? Sim, estava segura. Suplicava silenciosamente por auxílio e a verborragia diante dela não acatava seus gritos. Desesperada, decidiu fingir-se de muda, morta talvez. Inexpressiva, fitava o nada, como se criança fosse, e deixava-se levar pelo ruído bonito que as palavras duras produziam. Subitamente, a cachoeira de sons se transformou num silêncio infinito, um grande vazio que até hoje não consegue explicar; está a pairar por esse abismo, onde tenta nada tocar, para que não se desperte e atribua à consciência seu devido pesar.