A gente se conheceu num espelho.
Talvez de maneira inconsciente, buscamos acalentar o que vimos no sofrimento do outro.
Nesse jogo de idas e vindas, eu quis te cobrar o que você não podia ser, te cobrei cada centavo de uma transação emocional que nós não tínhamos saldo pra bancar: daí você ofereceu seu melhor só pra me ver me convertendo num monstro e te acusando de fazer o mesmo.
Perdão, os meus extremos são demais, minhas demandas são demais, minha agressividade é demais.
Por fim, você também precisou se defender e talvez só assim tenha sido capaz de se salvar das minhas garras.
Como diria Gil: Não há o que perdoar, por isso mesmo é que há de haver mais compaixão.
Sou grato pela sua compaixão e pela lealdade que eu tanto pedi (e você me deu).
Somos humanos e talvez você já tenha aprendido a ser um pouquinho melhor que eu.
Agora talvez eu quebre uns pratos pra ver se você olha pra mim. Você já quebrou os seus e eu não consegui ver.
Que a quebradeira acabe pra que a gente possa ter a possibilidade de compartilhar o conhecimento da intimidade um do outro sem se ferir tanto e que, de uma outra forma, a gente possa fazer (mais) parte do caminho um do outro.
Os dois perdemos, eu enxerguei e ouvi depois. Os pecados são nossos, mas o amor foi nosso também, que ele seja solo fértil pra produzir realidade quando a sujeira sair.