quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Do mar.

A doçura da manga chegou nesse ainda janeiro.


Fui à praia, mergulhei n’água quente e me deixei quase secar ao vento, sem precisar que a conclusão viesse. 


Fechei meus olhos querendo encontrar seu rosto, ao abrí-los, tive o paraíso como resposta.


Gosto de cantar que “de sal e sol, eu sou”, mas o que me faz mesmo é barro, areia, folha e vento, com grandes enxurradas de vez em quando.


Fazer-me sujeito da minha história não tem custado muito (especialmente depois de aceitar o que tanto entendi).


Agraciado com minhas recompensas, começo a rogar por força e direção. Que elas cheguem. Que assim seja.


[+] Gal Costa - O Amor

[+] Gilberto Gil - Refazenda

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Da escolha do que vem de dentro.

Vendo Chicago congelada, a água limpa da minha piscina refletindo o sol, minha horta renovada com sementes germinando e pra mim ainda insistindo em deixar meu corpo no frio, começo a aceitar o que entendi há muito.


Não há espaço pra escolher a morte e qualquer tentativa de desajustar o que faz sentido só vai resultar em dor escolhida.


Aprender a viver não precisa ser duro, mas a escolha não é fácil.


Quando a realidade se impõe com doçura pra quem está acostumado a ver o azedo sem sentir seu cheiro, tudo parece errado, a suposta máquina do corpo não responde, a cabeça dá voltas e me sinto ali, em adorno deslocado.


Me apropriar é um exercício que não pode ser individual.


Quero caminhar junto, inteiro, com tudo que falta, mas sem parar pelo que sobra.


Que o prazer real seja escolha e que as armadilhas sejam mais fáceis de evitar.

domingo, 18 de janeiro de 2026

De não sei o quê.

Os Estados Unidos me deixaram feridas claras e abertas, no corpo e na alma. 


Você me deixou feridas esperançosas de que um sinal viria, de que eu poderia ao menos ler seu nome numa notificação que não fosse do banco.


Já não quero mais apostar tudo em nós, mas não sei se quero apostar tudo em mim de maneira radical, mudando tudo.


Mexer as placas tectônicas da gente assusta para um cacete, foram anos e mais anos de uma construção que só garantiu dor. 


O tempo. O tempo é senhor de tudo. Apesar disso, ainda me pego querendo seu abraço, acordar junto, dar “bom dia” todo dia (até nessa simples consistência eu falhei, talvez não tenha reconhecido a importância dela. Consistência é coisa de máquina, a não ser que seja de afeto).


Nos meus anseios de jogar a tarrafa (que encontram sua esquiva rápida de peixe que não conhece água), me vejo na decepção comigo mesmo mais uma vez. 


Que bom que não enviei nada, nem respeito teria recebido. Não esse transacional que você conhece, mas aquele que diz do quanto alguém importa pra gente.


É isso, desde muito eu não importo pra você. E talvez eu possa apontar o quanto tentei me importar com você dos jeitos que você não quis, mas nada vai curar esse corte de se entregar, não por inteiro, mas com que tudo que tinha, pra você pedir pra me adiar. Eu não sou excesso, eu só sou muito pra você.


Me deixei usar mais uma vez, e repeti duas vezes essa semana. 


O propósito é esse: consciência e rede.


Você? Você já é passado, mas eu estarei aí.


[+] Spice Girls - Say you’ll be there (ironicamente)

[+] Spice Girls - Spice up your life (com verdade)

[+] Spice Girls - Who do you think you are (como lição)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Das beiradas.

Passei bem na beira, quase resvalei, mas resisti.


A tempestade exige serenidade, demanda química há muito esquecida, pede movimento de corpo e mente. A liberdade de não se enganar tem a beleza da raridade, a preciosidade do encontro consigo mesmo.


A gente é mais forte do que pensa, nessa percepção que parece óbvia é muito fácil se trair pra não chegar ao destino.


A semana não tem que ser perfeita, eu só quero que ela seja minha. Profunda, intensa, viva e com gosto, cheiro, sal, sol e cor.


Na real, o cafuné que falta mesmo é o meu.


E, no fim, eu resvalei.


[+] Baianasystem - Salve

Das cartas que escrevi pra mim.

Há um ano nos vimos pela primeira vez.


“Nosso amor não deu certo

Gargalhadas e lágrimas

De perto, fomos quase nada”


Só que fomos, sim. 


Desejo que você viva muitas chegadas em Miami, muitos concertos, muitas surpresas no horizonte de Chicago. 


Muitas ventanias frias com amor recíproco, segurando a mão tentando se esquentar, muito cafuné e cheiro no pescoço com dengo, muitas trilhas com vistas e carinho inesquecíveis, muita verdade que vem fácil.


Cuida dessa cabeça de menino, tão linda que um dia me fez cogitar colocar uns meninos nossos pra correr aqui no gramado.


Fui de “Sandra” a “Drão”, passei por “Esotérico”, pousei em “Eclipse Oculto”, mas agora “A Luz de Tieta” chegou.


Estou bem, quase inteiro, um pouquinho triste, mas essa dose vem acabando e os sorrisos surgem no equilíbrio e no mistério da vida.


Que sorte ter tido felicidade juntos!


Se bater a vontade de dizer, vou gostar de saber de você.


“E nossa história não estará

Pelo avesso assim

Sem final feliz

Teremos coisas bonitas pra contar

E até lá, vamos viver

Temos muito ainda por fazer

Não olhe pra trás

Apenas começamos 

O mundo começa agora

Apenas começamos”


Aproveite a vida: ela presta!


Beijo grande!

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Do lamento.

A gente se conheceu num espelho.


Talvez de maneira inconsciente, buscamos acalentar o que vimos no sofrimento do outro.


Nesse jogo de idas e vindas, eu quis te cobrar o que você não podia ser, te cobrei cada centavo de uma transação emocional que nós não tínhamos saldo pra bancar: daí você ofereceu seu melhor só pra me ver me convertendo num monstro e te acusando de fazer o mesmo.


Perdão, os meus extremos são demais, minhas demandas são demais, minha agressividade é demais.


Por fim, você também precisou se defender e talvez só assim tenha sido capaz de se salvar das minhas garras.


Como diria Gil: Não há o que perdoar, por isso mesmo é que há de haver mais compaixão. 


Sou grato pela sua compaixão e pela lealdade que eu tanto pedi (e você me deu).


Somos humanos e talvez você já tenha aprendido a ser um pouquinho melhor que eu. 


Agora talvez eu quebre uns pratos pra ver se você olha pra mim. Você já quebrou os seus e eu não consegui ver. 


Que a quebradeira acabe pra que a gente possa ter a possibilidade de compartilhar o conhecimento da intimidade um do outro sem se ferir tanto e que, de uma outra forma, a gente possa fazer (mais) parte do caminho um do outro.


Os dois perdemos, eu enxerguei e ouvi depois. Os pecados são nossos, mas o amor foi nosso também, que ele seja solo fértil pra produzir realidade quando a sujeira sair.

Dos limites.

Cruzei quase todos os meus, perdi muito, talvez agora precise pensar em ganhar a vida. 

sabe o que é mais foda? Não vai ter bom dia hoje, nem amanhã, nem nunca mais. Mas sabe também o que é foda de bom? Em algum momento vai ter um bom dia meu mesmo, pra mim, parando de buscar essa completude que não existe no outro.

Eu venho perdendo tudo. Tudo. Já não sei mais quem sou nem como vou seguir em frente, Seu golpe foi baixo, mesquinho, cruel.

Passei a noite aqui, me enchendo daquilo que você incentivou, que me consome, que me controla, que me fez ultrapassar minhas linhas rígidas. A foraclusão se tornou uma constante, as regras não importam e o corpo gritando por socorro fez com que você tivesse mais amor por mim do que eu mesmo. Você não foi corajoso, mas teve visão.

E agora respondeu com a frieza que eu mereço. É isso, ou mudo eu, ou a vida se perde.