terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Do lamento.

A gente se conheceu num espelho.


Talvez de maneira inconsciente, buscamos acalentar o que vimos no sofrimento do outro.


Nesse jogo de idas e vindas, eu quis te cobrar o que você não podia ser, te cobrei cada centavo de uma transação emocional que nós não tínhamos saldo pra bancar: daí você ofereceu seu melhor só pra me ver me convertendo num monstro e te acusando de fazer o mesmo.


Perdão, os meus extremos são demais, minhas demandas são demais, minha agressividade é demais.


Por fim, você também precisou se defender e talvez só assim tenha sido capaz de se salvar das minhas garras.


Como diria Gil: Não há o que perdoar, por isso mesmo é que há de haver mais compaixão. 


Sou grato pela sua compaixão e pela lealdade que eu tanto pedi (e você me deu).


Somos humanos e talvez você já tenha aprendido a ser um pouquinho melhor que eu. 


Agora talvez eu quebre uns pratos pra ver se você olha pra mim. Você já quebrou os seus e eu não consegui ver. 


Que a quebradeira acabe pra que a gente possa ter a possibilidade de compartilhar o conhecimento da intimidade um do outro sem se ferir tanto e que, de uma outra forma, a gente possa fazer (mais) parte do caminho um do outro.


Os dois perdemos, eu enxerguei e ouvi depois. Os pecados são nossos, mas o amor foi nosso também, que ele seja solo fértil pra produzir realidade quando a sujeira sair.

Dos limites.

Cruzei quase todos os meus, perdi muito, talvez agora precise pensar em ganhar a vida. 

sabe o que é mais foda? Não vai ter bom dia hoje, nem amanhã, nem nunca mais. Mas sabe também o que é foda de bom? Em algum momento vai ter um bom dia meu mesmo, pra mim, parando de buscar essa completude que não existe no outro.

Eu venho perdendo tudo. Tudo. Já não sei mais quem sou nem como vou seguir em frente, Seu golpe foi baixo, mesquinho, cruel.

Passei a noite aqui, me enchendo daquilo que você incentivou, que me consome, que me controla, que me fez ultrapassar minhas linhas rígidas. A foraclusão se tornou uma constante, as regras não importam e o corpo gritando por socorro fez com que você tivesse mais amor por mim do que eu mesmo. Você não foi corajoso, mas teve visão.

E agora respondeu com a frieza que eu mereço. É isso, ou mudo eu, ou a vida se perde.