terça-feira, 25 de agosto de 2009

Da estabilidade indevida.

Na madrugada abafada apesar da chuva, eis que decido por-me a escrever.
Ressoando em volume baixo, Chico me conta meu próprio desespero, minha angústia das sem razões da vida.
Amor próprio? Talvez tenha tido um pouco demais. Teria realmente sido amor? Finjo acreditar que "apego" define.
Me olho no espelho escuro e decido deixar de me vingar de mim mesmo, decido me provar meu, ainda que tudo esteja certo, "como 2 e 2 são 5".
Mas o desprezo persiste, porque seria tão difícil usar meu orgulho a meu favor? Talvez tenha dado qualquer vestígio de segurança junto com aquela esmola pouca e tímida. Se assim foi, deixei escorrer por entre dedos o que mais tentei segurar... e então? Aos desvarios dos loucos me submeto, quero ir baixo, me manter na sujeira com a simples finalidade de provar que sou melhor do que está ao redor. Contudo, quem se utiliza da lama acaba por adquirir suas manchas características e, com asco daquilo que também passou a ser meu, descubro que a limpeza nunca me pertenceu e que talvez eu nunca tenha sido mais do que aquilo que acreditava estar em conversão.
A saga segue, os dias se vão e ainda me encontro girando em torno da mesma falta de sentido.
Para quem não tem destino, qualquer lugar basta, serve, atende, está bom.
Mentira mais verdadeira, não existe.

[+] Caetano Veloso - Como 2 e 2
[+] Chico Buarque - Atrás da porta
[+] Chico Buarque - Eu te amo

Quote.

"Lembrei que, naquele momento, estava me sentindo tão pleno, tão seguro - apesar do spot tão iluminado na minha cabeça, do meu sotaque chiadinho, do meu sorriso às vezes assimétrico. Lembrei daquele jeito de estar bom, vida seguindo fácil, tipo velocidades de cruzeiro. Era preciso voltar ali. Até sabia, sem saber como".

http://www.martiniseco.blogspot.com/

Não conseguiria me expressar melhor.

[+] Caetano Veloso - Como 2 e 2

domingo, 26 de julho de 2009

Da nostalgia.

Tenho vivido de passado.
Até que ponto isso me incomoda? Pouco; afinal aquele medo de não ter vivido e de não poder contar as lembranças aos netos (porque elas não existem) se esvai aos poucos.
A nostalgia ajuda construir um futuro de quereres próprios, cheio de fantasias alheias, mas com certas nuances nunca antes experimentadas, provocando a sensação de base sólida.
A gente pára no tempo mas, como já advertia Cazuza, ele não pára ao redor. As pessoas vêm e vão, trazem muito de si, levam um tanto de você mesmo e algumas ficam.
Ficam paradas naquela época que só as paixões são capazes de enxergar, cenas que precisam das lentes de contato criadas por sorrisos ou corações partidos, por lágrimas ou gargalhadas, por um abraço fraterno ou uma traição, enfim, por um amor ou uma amizade verdadeira.
Aqui estão muitos que certamente voltarão, desde que os dias passados estejam guardados na caixinha de memórias orgânicas de cada um de nós.

[+] Queen - Love of my life
[+] Queen - I want it all

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Detour.

Não dá pra evitar a tristeza, ela é natural quando não se deixa só um lugar. Ficam pessoas, ficam irmãos que assim se fizeram nos últimos anos.
É difícil encarar um período curto no futuro quando esse período é maior do que a metade da vida que você conheceu de verdade, sendo você mesmo.
É basicamente isso que causa a melancolia, o bom é saber que deixo pessoas que serão próximas por toda a vida, ainda que estejam longe.
Chegou a hora de definir meu papel, de fechar ciclos, de aprender e de ganhar asas ao final.
Veremos, veremos.

[+] Shakira - Te necesito
[+] Marisa Monte - Enquanto isso

sábado, 11 de julho de 2009

Do whatever you wanna do.

"Todas as pessoas morrem uma única e escassa vez. Já os atores podem morrer todos os dias. Duas vezes por dia aos sábados, domingos e matinês a preços populares"

Nelson Rodrigues

[+] A dona da história.
[+] Elis - Chovendo na roseira.

sábado, 6 de junho de 2009

Das fases.

Muita gente, muitos grupos, muitas situações. Muitas fases vividas em uma só. E o que resta? Bom, o que resta é o rei na mente ("se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi") e a vaga sensação de que a esperança ainda sobrevive.
"Falta um tanto ainda, eu sei" e, ainda assim, me submeto a colocar os bois atrás dos carros, me faço crer que tudo é incerto e definido ao mesmo tempo. Não, não deixo o tempo correr macio.
Sei que "saudade é o amor que fica", o que enfim me consola: certo carinho ainda vai ficar.

[+] Roberto Carlos - Emoções
[+] Pato Fu - Sobre o tempo
[+] Diego Torres - Color esperanza

terça-feira, 26 de maio de 2009

Ardendo no mármore.

Mesmo sabendo que devia, não me levantei, me mantive procrastinando o momento em que meus medos me serão apresentados pessoal e concretamente.
Enquanto espero, fantasio, trago as irrelevâncias da inatividade para justificar meus vícios, principalmente o da solidão.
Ao mesmo tempo que recebo o desespero de estar face a face com o supostamente conhecido, me deixo levar pela sensação da inutilidade da tomada de atitudes. Sim, desprezei mais uma oportunidade oferecida e justifico com a já anteriormente fixada imutabilidade irremediável da minha situação.
Sim, descerei ao inferno pra ver se é divertido. Se for, aviso.

[+] When in Rome - The promise

terça-feira, 19 de maio de 2009

Um homem pra chamar de seu.

Não ter a quem cantar "Mesmo que seja eu" é, sim, pior que estar mal acompanhado.

[+] Marina Lima - Mesmo que seja eu.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Stream of consciousness.

Me esqueço, deixo passar. Forçosamente ou não, me deixo levar pela ausência da bela corrente de fatos cotidianos e ignoro aquilo que seria importante para aquela outra pessoa que espera a ligação singela, quase um clichê.
Qual a necessidade de "mecanismos de desenvolvimento limpo"? Me pergunto. Sinto a ignorância voltando pelas imagens completamente sem sentido. Bom, talvez ela já esteja aqui dentro e o maior temor é que ela volte à superfície com o regresso do filho não-tão-pródigo a sua terra de origem.
Darei um jeito de fazer tudo como sempre fiz ou haverá esperança na próxima viagem ao abismo prévio?
Depois de mais de três anos, dói saber que não houve avanço concreto, para dizer a verdade, sinto que regredi duas ou três casas no jogo da vida. Sempre posso crer que agora tenho objetivos formados e que já dei alguns passos em direção a eles, contudo eles ainda se mostram muito distantes, sem grandes perspectivas de realização. Agora tenho medo de voltar à esteira semi-automática, contra a qual muito lutei para me libertar. Logística ou Administração? Frustração ou frustração?
O sonho continua lá, lá em cima, há alguns milhares de quilômetros e há muito esforço ainda para o alcançar.
Deixemos o mumble-jumble da racionalização exagerada de lado e façamos a Amélie Poulain. É, vai ser melhor.

[+] Jo Dee Messina - Was that my life?

terça-feira, 28 de abril de 2009

Good things that come back.

(Not so) Old school "altogether".



Modern "altogether"



Love them both.

[+] Sophie Ellis Bextor - Murder on the dance floor.
[+] Feist - 1 2 3 4

domingo, 26 de abril de 2009

Get away, clowns.

There's a bunch of things I'd like to say to some people, but I just don't.
Over that, I carry a full ton of unreleased ideas inside my stomach and, by now, it's getting unbearable to hold.
So, please, don't piss me off, you wouldn't wanna see the reaction.
No, I'm not taking your bullshit, I already got mine.

[+] Twisted sisters - We ain't gonna take it.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Da vitória.

Depois de uma longa espera (que mais pareceu uma longa batalha), pode-se ver que não houve baixas ao fim.
Houve, sim, a grande satisfação de ver o esforço realizado em uma simples palavra: aprovado.
Quis, quero e sempre vou querer a vida no azul infinito, acima das nuvens, junto às asas que construí com tanto esmero, acima de outras que dão a verdadeira sustentação, tendo a vista privilegiada do meu lar: o mundo.
Hoje, finalmente, sou o vencedor.
Today, finally, I take it all!

[+] Abba - The winner takes it all
[+] Natalie Grant - No sign of it